A Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, em colaboração com a Galeria Jeanne Bucher Jaeger, de Paris, e com o patrocínio da Fundação EDP, mecenas principal do museu, traz a Lisboa uma selecção da sua colecção de livros de artista que traduz um dos mais criativos períodos artísticos, o início do século XX, e conta a história da arte e dos artistas da icónica galeria parisiense ao longo de quase um século.
Em 1925 Jeanne Bucher (1872-1946) instalou em Paris uma galeria-editora que se tornou um importante espaço de divulgação de tendências e artistas franceses e estrangeiros.
Para além da organização de exposições, a promoção e divulgação artísticas foram fomentadas pela Galerie Jeanne Bucher através de uma intensa actividade de edição de catálogos, livros e objectos de artistas, de tiragem limitada, iniciada logo em 1925. Ao promover estas edições – muitas delas resultantes de colaborações entre escritores, poetas e artistas plásticos –, Jeanne Bucher explorava o seu amor pelos livros, pela literatura e pela arte.
Depois da sua morte, o seu sucessor na direção da galeria, Jean-François Jaeger, deu continuidade, a partir de 1947, à política de exposições e edições iniciado por Jeanne Bucher. A par da edição de livros de arte, Jean–François Jaeger tem promovido outro tipo de edições, como catálogos, monografias e séries limitadas de gravuras, concebidas pelos numerosos artistas que representam. A sua filha Véronique Jaeger (bisneta de Jeanne Bucher) continua, desde 2003, a desenvolver edições de artistas contemporâneos.
Nesta exposição, dedicada à importante actividade editorial da Galerie Jeanne Bucher entre 1925 e 2017, estarão representados vários artistas com obras originais sobre papel (guache, desenho) como Ernst, Marcoussis, Braque, Picasso, Rouault, Matisse, Manessier, Bissière, Dubuffet e Vieira da Silva, entre outros; além de exemplares da sua obra gráfica e / ou literária, destacando-se os nomes de Jean Hugo, Tristan Tzara, René Char, Leopold Senghor ou Georges Hugnet.
Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes travaram conhecimento com Jeanne Bucher em 1932 e desde essa data até à morte da galerista, em 1946, mantiveram com a galeria uma forte relação pessoal e profissional que se mantém até hoje.