A exposição, concebida para o antigo ateliê de Vieira da Silva, cruza pontos associadas à pintura e ao espaço da artista e junta-os ao trabalho de Teresa Segurado Pavão.
Um dos pontos explora a pintura de Vieira, onde teia e trama se ligam através das cores, linhas, manchas, formas, planos e da paciência e obsessão de uma tecedeira; outro foca-se no ateliê em que viveu e ocupou nas suas estadias em Lisboa, juntamente com o seu marido; e por último no edifício da FASVS, que terá sido em tempos a Fábrica das Sedas, e todo o quarteirão que o envolve.
1 – A pintura de Vieira da Silva
Toda, ou quase toda, a pintura de Vieira assenta na verticalidade (paredes) e na horizontalidade (chão) dos riscos, manchas, formas, o que se relaciona de imediato com todo o processo de tecelagem onde teia – estrutura inicial, serve de suporte ou “ossatura” do que se tece – a trama. É todo um trabalho de Penélope, de urdidura, de paciência, de tempo e dedicação. O têxtil é visível no uso das redes e grelhas, tecidos de fios entrecruzados, e até no trabalho de ferros forjados, de gaiolas e varandas. As cores em Vieira têm uma simbologia tal, que num poema com o título de “Testamento”, as deixa como legado aos amigos.
2 – O Ateliê
“Espaços onde Penélopes vão urdindo e desfazendo suas teias” (Isabel Matos Dias “Oficina Mundi, os ateliers de Vieira da Silva”). Esta exposição terá lugar no espaço do ateliê, usado pelo casal nas estadias em Lisboa. Aí tudo permanece como na época: escada, lareira, móveis, cavaletes, mesa e cadeiras. Será usado para desenvolver um work in progress, e “habitado pela artista” durante o período da exposição.
3 – O edifício
O edifício ocupado pela FASVS é a antiga Fábrica das Sedas, de 1759. No bairro do Jardim das Amoreiras as ruas e travessas têm nomes como “fábrica das sedas”, “fábrica dos pentes”. Ainda hoje existe no mesmo quarteirão, a última fábrica de passamanarias em Lisboa.
Teresa Pavão explora as associações: de ideias, conceitos, memórias, através da simbologia, dos materiais, das formas, integrando objectos, ou fragmentos e vestígios dos mesmos, ora usando o barro branco ora usando o têxtil, tentando assim criar novos universos. Neste projecto explora a ligação, através da teia e trama, onde a seda ocupa um papel preponderante, à pintura de Vieira da Silva. É uma exploração não só da verticalidade e horizontalidade na composição, como da profundidade, conseguida através da diversidade e sobreposição de planos têxteis, das várias camadas, formando caixas abertas, como pequenos teatrinhos.