Décima sexta exposição do ciclo «Amigos de Arpad Szenes e Vieira da Silva», evocativa da obra do pintor francês Pierre Bonnard (1867-1947), marco essencial da pintura francesa dos séculos XIX e XX.
Este artista foi uma grande influência na obra de Vieira da Silva e de Arpad Szenes. A admiração da pintora pela obra de Bonnard data do ano da sua chegada a Paris (1928), quando visitou a exposição deste pintor na Galerie Berheim-Jeune, impressionando-se particularmente com as telas em que figuravam mesas com toalhas aos quadrados de várias cores. Vieira da Silva utilizou, no entanto, as quadrículas de forma diferente: enquanto Bonnard se serviu delas para rebater o espaço no plano das telas, Vieira criou várias profundidades com os inúmeros quadrados que atravessam as suas composições.
A obra de Bonnard também mereceu o interesse de Arpad Szenes, que frequentemente analisou a maneira magistral como o pintor soube captar a luz e trabalhar a cor. Arpad Szenes identificou-se com o seu percurso tão pessoal e intimista, alheio aos múltiplos movimentos que surgiram na primeira metade do século XX.
Apesar da reduzida dimensão desta exposição (que reuniu cerca de 49 trabalhos, entre óleos, desenhos e litografias) face à monumentalidade da produção de Pierre Bonnard, o conjunto apresentado ofereceu ao público uma leitura abrangente da obra deste artista, já que as obras seleccionadas pontuavam, cronologicamente, o seu percurso, desde os primeiros trabalhos até às últimas telas.
As obras que integraram esta mostra provinham de várias colecções particulares, galerias, museus e instituições públicas francesas.