A exposição Pares Ímpares 1, que deu início à colaboração institucional entre o Município de Coimbra e a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, revelou-se uma inesgotável fonte discursiva e um estimulante desafio para os muitos visitantes que a percorreram no Centro de Arte Contemporânea de Coimbra.
Pensada em torno de um princípio básico mas ousado de montagem — juntar duas obras de dois artistas distintos com o objectivo de sondar proximidades, afinidades, sincronismos, mas também diferenças ou antagonismos —, a exposição foi pensada como uma máquina de emaranhar paisagens mais ou menos íntimas, pequenas histórias ouvidas contar ao longo do caminho, fazendo-as desaguar no grande caudal narrativo da história da arte.
Como na música popular, a um primeiro LP bem sucedido, segue-se o sempre difícil segundo álbum. O público, exigente, emancipado, sedento de ouvir contar histórias, dirá se este elenco de obras e de artistas e esta montagem estão à altura do primeiro tomo, mas, antes desse momento de encontro e celebração, já com as obras encostadas à parede, veremos se na altura de as erguer, o ritmo, a sequência, as relações, enfim, o sopro que percorre o espaço expositivo propicia a energia criativa de que estamos todos carentes.
A exposição Pares Ímpares 2 reúne obras das coleções municipais, originalmente pertencentes à Coleção do Dr. Telo de Morais, assim como da Coleção do Estado em depósito no CACC, da coleção da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva e, por último, da coleção de Eduardo Rosa.
Reúne 54 obras de 48 artistas de diferentes gerações que talvez não tenham sido feitas para estarem lado-a-lado, mas que, quis o acaso, agora se encontrassem, desafiando, em consequência, as narrativas dominantes, o gosto artístico e estético da época, voltando a iluminar obras e artistas que se encontram em grande medida na sombra com outros cuja obra tem actualmente mais visibilidade.
Juntando-os, pondo-os em diálogo, pretende-se reactivar as suas forças, trazendo-os à contemporaneidade, desafiando o visitante a (re)descobrir percursos da maior relevância e a posicionar-se perante a singular montagem, gerando novos discursos e novos ecos a esta conversa inesgotável que mantemos com a história da arte.