Manuel Baptista

Sombras e outras cores

INFO
31 Out 19 - 26 Jan 20 Museu

O Museu encerra 2019 com uma exposição de Manuel Baptista, organizada em parceria com a Fundação Carmona e Costa, onde se apresenta um conjunto de obras criadas entre 1963 e 2002. São quarenta anos de produção artística, que a escolha criteriosa do curador João Pinharanda permite agora conhecer.

Esta exposição não é nem uma Retrospectiva nem uma Antologia. É uma escolha de momentos-chave da obra de Manuel Baptista através da qual percorremos quatro décadas de trabalho intenso, mas joyeux, experimental, mas rigoroso, diversificado, mas coerente.

Manuel Baptista nasceu em Faro, em 1936, formou-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde foi brevemente professor, viveu algum tempo em Paris, bem como na RFA e constitui mais uma singularidade no percurso dos artistas portugueses em contexto contemporâneo. A sua obra, suficientemente autónoma da evolução conjuntural das modas artísticas, merece uma apresentação e estudo exaustivos. Como o que em 2011 (Fora de Escala. Desenho e escultura 1960-70, Central Tejo, Fundação EDP) revelou projectos, até então nunca construídos, de objectos e esculturas dos anos de 1960 e 1970.

O seu trabalho apresenta uma constante tensão entre construção e acaso, regra e indisciplina. Manuel Baptista parte do entendimento unificado que tem do par constituído pela vocação geométrica das formas e volumes e pela expressão livre da natureza (através da paisagem que o rodeia ou do registo isolado de certos elementos vegetais). Há assim no seu trabalho, linhas que podemos classificar como naturalistas e outras como geométricas, linhas de trabalho orgânicas ou matéricas e outras abstractas ou não representativas.

Matéria, forma e volume, cor, luz e sombra, são elementos essenciais da sua investigação e aproximação quer à abstracção, quer à expressão do mundo exterior. A forma ou a matéria são frequentemente cor, luz e volume, constituindo um conjunto de trabalhos geométricos e abstractos. Mas a paisagem oculta-se nessas e em muitas outras das suas imagens abstractas, através da expressão de uma linha de horizonte ou de profundidade, através da textura e sensualidade orgânica das matérias, através do recorte de folhas e ramagens ou nos cromatismos escolhidos.

Com os trabalhos – sobre papel – mais recentes mostrados  (entre 12 de Outubro e 15 de Novembro de 2019) na galeria Giefarte, em Lisboa, onde o gestualismo ganha também uma dimensão reveladora, e com as pinturas e volumes pintados apresentados no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, abrimos o nosso olhar para extensões cromáticas inesperadas, para intrincados labirintos lineares, para infinitos jogos de sombra (e luz) e cor, que o título da exposição toma como lema, e aproximamo-nos um pouco mais do universo singular de Manuel Baptista.

 

João Pinharanda

Vista da exposição

Vista da exposição

Vista da exposição

Vista da exposição

FASVS 16/01/2020

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