A Fundação Ilídio Pinho é detentora de uma importante Coleção de Arte Portuguesa, onde se incluem obras notáveis de Vieira da Silva e de Arpad Szenes. Se algumas dessas obras foram vistas em exposições[1], raramente foram mostradas enquanto conjunto e muitas nunca foram expostas em Lisboa. Seguindo uma linha programática recorrente, a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva tem agora oportunidade de acolher uma selecção de obras da colecção de arte da Fundação Ilídio Pinho, que inclui todas as obras do casal de artistas, Arpad Szenes e Vieira da Silva.
Em 2012 a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva organizou, em parceria com a Fundação EDP, uma exposição de grandes obras de Maria Helena Vieira da Silva provenientes de grandes colecções[2], particulares e institucionais, que nos permitiu admirar diferentes fases da vida da artista, confirmando o seu lugar relevante no panorama internacional da arte contemporânea. Uma das colecções cujas obras de referência nos desvendaram a relação íntima e produtiva entre coleccionador, obra e artista, era a da Fundação Ilídio Pinho.
As colecções de instituições e as particulares são complementos insubstituíveis dos acervos dos museus. Trata-se, muitas vezes, de obras menos vistas que permitem uma enriquecedora visão da historiografia da arte quando enquadradas e reveladas. São conjuntos dinâmicos que enriquecem a rede de significados, numa teia de relações, assumindo um papel preponderante na relação com os museus, com a investigação e a história.
A melhor homenagem a um coleccionador é exercer um olhar crítico e constituir sentido para a história a partir do seu acervo. Só o olhar de especialistas permite contextualizar e valorizar o património reunido. As parcerias com os museus e os investigadores são fundamentais para estudar, preservar, contextualizar e divulgar o património artístico. É o olhar do curador Miguel Von Hafe Pérez que revela, nesta exposição, a selecção de obras da Fundação Ilídio Pinho e confirma o empenho em tornar as obras desta colecção num instrumento de conhecimento e de integração social.
Esta exposição é também uma homenagem ao coleccionador que nos permite usufruir destas obras notáveis, adquiridas com discernimento, paixão e intuição.
Marina Bairrão Ruivo
[1] Exposição Vieira da Silva, Agora, Museu Arpad zenes-Vieira da Silva, em Lisboa, 14 de Março – 16 de Junho 2013.
[2] Exposição Vieira da Silva, o espaço e outros enigmas: grandes obras em grandes colecções, Galeria da Fundação EDP, Porto, 13 de Julho – 21 de Outubro 2012.