16 e 30 de setembro, 7 e 21 de outubro / Quartas-feiras, 18h30 – 20h00
CERZIR – Ciclo de 4 conversas
Curadoria e Moderação: Marta Espiridião
Conversas sobre as ideias de invisibilidade e imaterialidade na criação, na arte e na cultura. Marta Espiridião convida pessoas de várias áreas do conhecimento e membros da equipa do museu para a construção de uma assembleia, onde conversar é tecer pensamento.
Casa – Atelier / Entrada livre / +16
Programa:
16 de setembro – Linguagem – Maribel Sobreira (Colectivo FACA) e Nuno Faria
30 de setembro – Poesia – Gisela Casimiro e Luiza Teixeira de Freitas
7 de outubro – Espaço – Joana Braga e Bruno Humberto
21 de outubro – Identidade – FLECHA (Laura Falé + André Tecedeiro) e Sandra Santos
Cerzir toca (levemente) em ideias de invisibilidade e imaterialidade para questionar as linhas com que se tece uma teia partilhada. O programa está dividido em quatro eixos-momentos, em quatro formas diferentes de fazer mundos: linguagem, espaço, identidade, poesia. Profundamente embrenhadas que estão na nossa realidade, tornam-se quase invisíveis, como fios da teia oculta que sustenta a tapeçaria das vidas. Juntando convidadas de várias áreas do conhecimento com membros da equipa do museu, cada conversa é um convite à construção de uma assembleia de pensar em conjunto, ao desenlaçar de uma linha invisível que nos une.
linguagem
Nesta conversa, exploraremos a transmutação do mundo artístico, estético e sensível, numa língua partilhada: a linguagem dos museus e da arte contemporânea. A partir das noções de tradução e adaptabilidade, questionamos como falar de arte com — e para — diferentes idades e capacidades.
- Maribel Sobreira (Colectivo FACA) + Nuno Faria
Maribel Mendes Sobreira é curadora activa e activista cultural, co-fundadora do ColectivoFACA, um projeto que funde a prática curatorial com a cidadania. É ensaísta, professora, investigadora e curadora expandida. Desenvolve pensamento crítico interseccional, através de vários ensaios e textos, projectos de activismo curatorial, tal como participação em conferência, aula abertas, palestras, laboratórios de leitura e discussão sobre cultura visual, queer, feminismo e antirracismo.
Nuno Faria (Lisboa, 1971) é professor na Escola Superior de Design das Caldas da Rainha.
Trabalhou no Instituto de Arte Contemporânea do Ministério da Cultura de Portugal (1997-2003) e na Fundação Calouste Gulbenkian (2003-2009). Viveu e trabalhou no Algarve entre 2007 e 2012, onde fundou (em Loulé, em 2009) o projecto Mobilehome – Escola de Arte Nómada, Experimental e Independente. Em 2012-2013 foi-lhe atribuído o Prémio de Crítica e Ensaística de Arte e Arquitectura AICA/Fundação Carmona e Costa. Foi diretor artístico do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, em Guimarães (2013-2019) e do Museu da Cidade do Porto (2019-2022).
Ao longo de 20 anos, como curador, trabalhou com artistas de várias gerações, portugueses e estrangeiros, em contexto institucional e independente, em localizações centrais e mais periféricas, em Portugal e no estrangeiro. Em 2024 foi nomeado director do Museu Arpad Szenes Vieira da Silva, em Lisboa.
poesia
Nesta conversa, partiremos de ideias de liberdade e sensibilidade como territórios férteis para pensar a poesia nas suas formas mais expansivas e expandidas. Reconhecendo a transversalidade da poesia, das artes aos quotidianos, assume-se o gesto poético como algo que atravessa, transformando a experiência comum e revelando aquilo que nos toca, nos conecta e nos torna mais atentos ao mundo.
- Gisela Casimiro + Luiza Teixeira de Freitas
Gisela Casimiro (Guiné-Bissau, 1984), é uma activista, escritora, poeta, tradutora, curadora e artista portuguesa. É autora de «Erosão» e «Giz» (poesia), de «Estendais» (crónicas), e de textos para vários espectáculos de teatro, filmes e séries de televisão. Os seus textos estão traduzidos para turco, mandarim, alemão, espanhol e inglês.
espaço
Nesta conversa, refletiremos sobre o papel do museu na cidade, a partir das suas interrelações e do jardim, tomados como lugares de encontro e de cruzamento tanto entre interior e exterior como entre a arte e o quotidiano. Assumindo que tanto o museu quanto a cidade são construções coletivas, permanentemente habitadas, reinventadas e cuidadas por quem as vive, como se pode construir um espaço mais comum?
- Joana Braga + Bruno Humberto
Joana Braga é arquitecta, investigadora e artista interdisciplinar. O seu trabalho, geralmente desenvolvido em processos colaborativos, e assumindo diversas formas, articula práticas espaciais, discursivas, visuais e performativas para interrogar e desdobrar a experiência estética do espaço e também as suas dimensões culturais, políticas e sociais. Tem experimentado formatos de pesquisa que articulam a vivência corporizada do território com a recolha e reconfiguração de memórias, vestígios e questões que o atravessam, para problematizar lugares e territórios específicos, bem como os discursos, objetos e práticas que os desdobram. Tem explorado a caminhada como prática experimental e artística para repensar criticamente o espaço habitado e a relação que com ele estabelecemos. A sua atividade tem sido multifacetada, compreendendo a prática artística, a investigação, a curadoria e a escrita.
Bruno Humberto estudou e lecionou no mestrado de Performance Making, na Goldsmiths College, em Londres. A exposição Acts of Disappearance, premiada pelo Parallel award foi apresentada, entre outros, na edição 2019 do Photo London. Com Franek Ammer fez a curadoria da exposição The Happy Death of Images apresentada no Book Art Museum, em Łódź, na Polónia, como parte da programação do Fotofestiwal 2022. Em 2025 fez a curadoria da exposição coletiva Encenação, na Zaratan Arte Contemporânea e de A Terrível Enciclopédia da Mão, em colaboração com Luísa Abreu na Galeria do Sol, no Porto. É co-editor da revista de arte contemporânea Wrong Wrong. Faz produção, programação e curadoria em vários projetos. Trabalha com a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva desde 2023. Está a dirigir o projeto site-specific Enciclopédias das Escadas, em vários lugares do país.
identidade
Nesta conversa, abordaremos questões de visibilidade e pertença através da representação, discutindo o papel fundamental da arte na construção de identidades e na formação de narrativas, sempre assumindo que o reflexo de diferentes identidades na história e na arte não é apenas um acto de reconhecimento, mas um gesto de dignidade que pode abalar premissas conservadoras
- FLECHA (Laura Falé + André Tecedeiro) + Sandra Santos
A FLECHA foi lançada em 2022. Desde então, chegou a milhares de pessoas através de workshops, palestras e conversas. Combate a desinformação e trabalha os temas da igualdade e diversidade de género e da linguagem e liderança inclusivas, ajudando as organizações a criar um ambiente onde toda a gente se sente valorizada. Leva cada pessoa mais longe através da confiança, da empatia e pela construção de ambientes seguros e sentido de comunidade.
Laura Falésia (1992) é formadora e investigadora em gestão de recursos humanos, com formação em gestão e filosofia. André Tecedeiro (1979) é formador, escritor e dramaturgo, com formação em psicologia e em artes plásticas.
Sandra Santos é responsável pela Colecção do Museu, Biblioteca e Arquivo da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva.