A exposição Gabinete de Anatomia é organizada conjuntamente pela Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva e pelo Museu de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, com o apoio da Universidade de Lisboa e da Fundação Calouste Gulbenkian, no quadro das comemorações dos centenários da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Comissariada por Manuel Valente Alves, a exposição Gabinete de Anatomia é composta por desenhos anatómicos da autoria de Vieira da Silva e de Arpad Szenes e desenhos anatómicos da colecção do Museu de Medicina, recentemente inventariados no contexto do projecto de investigação «A imagem na ciência e na arte» do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.
A exposição divide-se em quatro núcleos: 1. Anatomia do desejo – desenhos anatómicos de Arpad Szenes; 2. Corpo fragmentado – desenhos anatómicos de Vieira da Silva; 3. Cabeça e corpo inteiro – desenhos anatómicos do Museu de Medicina; 4. Tronco e membros – desenhos anatómicos do Museu de Medicina.
Além de desenhos do Museu de Medicina e de Vieira da Silva, Gabinete de Anatomia apresenta dois grupos de desenhos de modelo nú, masculino e feminino, da autoria de Arpad Szenes: um, com características marcadamente escolares, foi provavelmente realizado na Academia Livre de Budapeste, onde Arpad foi aluno de Rippl Ronnaï na década de 1910; outro foi feito entre 1928 e 1932, possivelmente em Paris já depois do artista ter conhecido Vieira da Silva. A inteligência, frescura, liberdade e discrição, principalmente dos últimos desenhos, começam já aqui a definir uma visão poética muito pessoal que irá marcar toda a sua obra.
A exposição integra também uma série de desenhos preparatórios de Arpad Szenes para uma das suas obras mais destacadas, o óleo «Le Couple», uma lenta, laboriosa e amorosa fragmentação anatómica da pintura.
Cruzando objectividade e subjectividade, interioridade e exterioridade, simplicidade e complexidade, a exposição Gabinete de Anatomia liga a arte da imagem com que a ciência organizou visualmente a «fábrica do corpo humano» (título do famoso tratado de anatomia com que, no século XVI, o anatomista André Vesálio, combinando ciência e arte, inaugurou a cultura visual da medicina), com a imagem da arte que marcou indelevelmente a cultura imagética e artística do século XX.