Em 2004 a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva comemorou o 10º aniversário da abertura ao público do Museu com a exposição «Vieira da Silva nas colecções internacionais», que deveria ter sido seguida de idêntica homenagem a Arpad Szenes. Projecto sempre adiado por razões várias, ficou esta “dívida moral” para com o pintor, colmatada com a realização desta grande exposição.
A ideia base desta mostra era apresentar, através de 129 obras assinadas por Arpad, um percurso possível para o seu processo criativo, partindo dos estudos até às obras finais. Para tal, as obras foram agrupadas tematicamente, independentemente das datas em que foram realizadas e das técnicas utilizadas.
Foi um olhar diferente da clássica retrospectiva, que revelou a sensível qualidade da obra de Arpad Szenes e a riqueza e variedade da colecção da FASVS.
A exposição iniciava-se com um conjunto de desenhos, técnica para que Arpad desde cedo revelou aptidão, realizados na sua infância e juventude, raramente expostos. A ilustração, actividade que lhe assegurou o sustento em diversas fases da sua vida, esteve também presente, destacando-se gravuras e estudos para capas de revistas e catálogos. Outro núcleo expositivo reuniu vários temas-chave da obra de Arpad Szenes: “Hommes-Trompettes”; “Banquets”; “Conversation” e “Cyclistes”.
Na última sala reuniram-se temas não menos importantes, onde se confrontava e questionava a dicotomia académica entre os estudos e a obra final, questão amplamente problematizada ao longo do contexto artístico do século XX e que serve também de fio condutor a esta exposição.
A exposição completava-se com um último núcleo de pinturas, as paisagens abstractas que testemunham a mestria de execução de Arpad Szenes, nomeadamente na representação da luz.