Nascido em 1928, na Ilha de Moçambique, vinte anos depois de Maria Helena Vieira da Silva, Alberto de Lacerda veio para Lisboa em 1946 e fixou-se em Londres em 1951 onde trabalhou como locutor e jornalista na BBC, divulgando os poetas Luís de Camões e Fernando Pessoa, entre outros. Nos anos seguintes viajou pela Europa e esteve alguns meses no Brasil, entre 1959 e 1960, onde deu várias conferências. A partir de 1967 e até 1970, inicia uma carreira académica, leccionando Literatura Comparada na Universidade do Texas, em Austin, especializando-se em literatura portuguesa, francesa e brasileira. Em 1972, fixa-se na Universidade de Boston, Massachusetts, leccionando também por convite na Universidade de Columbia, Nova Iorque. É em Boston que culmina a sua carreira, jubilado como Professor Emérito de Poética. Regressa a Londres, a sua cidade eleita para viver (que nunca deixou) e morrer, em Agosto de 2007.
Apesar da sua discrição ligada a uma profunda solidão, Alberto de Lacerda foi autor de uma notável obra poética, tendo sido mesmo considerado como um dos melhores poetas da sua geração; geração do pós-guerra que inclui nomes como os de Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, António Ramos Rosa ou David Mourão Ferreira. É também referido como professor, ensaísta, crítico, linguista, melómano, artista e coleccionador compulsivo e descrito – por quem o conheceu – como uma pessoa extremamente culta. A sua cultura e a sua opção pelo exílio são dois pontos fundamentais que o unem a Maria Helena Vieira da Silva e a Arpad Szenes, com quem partilhou uma sincera amizade.
É um privilégio para a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva poder mostrar a amizade que unia o casal a Alberto de Lacerda, a sua amizade íntima, discreta e privada, onde encontramos uma correspondência de grande ternura e inquietações criativas, pontuada por fotografias e desenhos, serigrafias, obras dedicadas, de uma escala pessoal, por vezes – por isso – de pequenas dimensões, mas transbordando afecto. Esperamos contribuir para um melhor conhecimento deste ser misterioso e da amizade que partilhou com Vieira da Silva e Arpad Szenes.