A exposição Pares Ímpares I inaugura a parceria entre o Município de Coimbra e a Fundação Arpad Szenes — Vieira da Silva, sendo a primeira de quatro a decorrer no espaço do Centro de Arte Contemporânea de Coimbra (CACC).
Reúne obras de três coleções institucionais — a Coleção do Município de Coimbra, a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, em depósito no CACC, e a Coleção da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, às quais se juntam obras de duas coleções privadas sediadas na Cidade de Coimbra: a Coleção de Eduardo Rosa e a Coleção de Isabel e Carlos Mimoso.
Pares Ímpares estrutura-se a partir de um princípio de montagem simples, a aproximação sucessiva de duas obras que podem ou não ter evidentes pontos de contacto entre si, iniciando-se com um diálogo entre duas das mais singulares e extraordinárias pintoras portuguesas, Aurélia de Sousa e Vieira da Silva, em torno da própria ideia de vocação artística. De permeio, conta as mais diversas histórias, propõe os mais inusitados encontros, estimulando o imaginário dos visitantes para além dos caminhos batidos da história de arte.
Ler é a mesma coisa que ver? Ver é a mesma coisa que perceber? Perceber é mais ou menos importante do que reconhecer? Só reconhecemos o que já conhecemos ou podemos reconhecer aquilo que pensamos ser novo para nós? E o que significa conhecer? Será que conhecemos aquilo de que nos esquecemos? A partir destas perguntas, e de outras, lançamos o desafio aos nossos visitantes de descobrirem estes pares ímpares, estes (de)encontros forjados nos intervalos dos livros de teoria, nos interstícios das palavras, nos lapsos da nossa memória.
A parceria entre o Município de Coimbra e a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva tem por objectivo repensar modos de colaboração entre instituições de escalas diferentes e contextos geográficos distanciados, movidas por uma mesma concepção de serviço público. As duas equipas juntam-se, unindo forças e partilhando competências, para criar um ciclo que não somente prossegue o espírito de programação que vem sendo desenvolvido no CACC, como procura trazer ao grande público um panorama alargado e heteróclito de artistas contemporâneos, devidamente enquadrado por um programa de mediação amplo e inclusivo.
A exposição prolongar-se-á para o próximo ciclo, desdobrando-se em díptico, Pares Ímpares II.
Nuno Faria