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Jean Dubuffet: obras sobre papel
APRESENTAÇÃO PDF
Jean Dubuffet: obras sobre papel
Em complemento da exposição "Jean Dubuffet" patente na Culturgest, a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva apresenta 67 obras em papel, de pequeno formato, da colecção da Galeria Jeanne Bucher, Paris. A selecção das obras e a montagem da exposição são da responsabilidade de Jean-François Jaeger, Director da Galeria Jeanne Bucher, Paris.

"A obra de Dubuffet é uma luta contra o olhar elaborado que, no espírito, traduz a eficácia, isto é, o mundo da mão. Para apreender a riqueza lírica do universo, o artista conserva a liberdade puramente muscular do olho sem a intervenção da consciência. Aliás, Dubuffet suspeita da consciência. Pensa que esta altera tudo o que toca e que, sobretudo, se opõe ao conhecimento das coisas em vez de o estimular. O artista persiste em encontrar acessos e vias para os quais a consciência pouco contribua. Nos seus trabalhos, o olhar reconquista a sua inocência e os seus deslumbramentos, e estes, por sua vez, extraem do universo das coisas o inesperado e o incomparável. Esta recusa das categorias ópticas tradicionais devolve à sua visão uma braveza saudável, selvagem. Graças a Dubuffet, a arte abandona a sua função social de reprodução para se tornar - o que é a sua essência - um instrumento de confissão psicológica. A realidade utilitária é rejeitada em benefício da realidade poética, e esta é a imagem da memória e de sonhos. Também a hierarquia que a eficácia atribuiu ao universo é abandonada, preferindo-lhe antes, o artista, as escalas da loucura e da imaginação, que revelam as verdadeiras dimensões. Baralhando as ligações, transformando os «Corps de Dames» em continentes tenebrosos e as «Terres Radieuses» em ectoplasmas imateriais, Dubuffet estabelece com o mundo um novo sistema de relação mais sensível e mais verdadeiro. Para observar cada objecto, Dubuffet fabrica um olho sobressalente: o da águia que sobrevoa os espaços metafísicos das «Terres Radieuses», o da formiga que deambula nos labirintos das «Texturologies», o olho, mágico, do aparelho que, nas «Messages», traduz as imagens em ideias. Toda a sua obra é uma fabulosa maquinaria que desagrega o mundo das opressões, para fabricar o território da liberdade."

Daniel Cordier (Les dessins de Jean Dubuffet, Editions Ditis, Paris, 1960)
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