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DESENHOS TÊXTEIS. FILIPE ROCHA DA SILVA
DESENHOS TÊXTEIS. FILIPE ROCHA DA SILVA

Desenhos têxteis é o título da exposição de Filipe Rocha da Silva, patente na sala de exposições temporárias do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva a partir de 24 de Novembro de 2016 e patente até 22 de Janeiro de 2017, organizada em colaboração com a Fundação EDP.

Na fronteira entre a tapeçaria e o desenho, as peças apresentadas têm por suporte uma tela semelhante à usada nos tapetes de Arraiolos, mas é com a trama de lã que Rocha da Silva desenha, recriando paisagens que se deixam decifrar no conjunto ou no pormenor. O artista utiliza os materiais tradicionais da tapeçaria através de uma técnica em que não existe um ponto fixo, pelo contrário, há uma improvisação e variação permanente no grafismo e no ponto, razão pela qual considera que estas obras melhor se inserem na designação desenho têxtil.

Fruto de uma pesquisa recente, os desenhos têxteis de Rocha da Silva, alguns deles de proporções consideráveis,  como Fertility Landscape I (150 x 200 cm), exposto pela primeira vez em Maio de 2015 na galeria Art Projects International, em Nova Iorque, têm como fonte inspiradora a tradição da tapeçaria. Existe todavia neste processo uma opção deliberada pela manualidade, a ausência de qualquer tear ou outro equipamento auxiliar, a unicidade e individualidade do artista, não só de cada peça mas de cada centímetro da mesma. Há portanto um afastamento de toda e qualquer repetição ou série, características do artesanato. São em geral representadas paisagens rurais ou florestais mas, dada a predominância da textura e a sobreposição por parte de pequenas figuras (um traço distintivo da pintura de Rocha da Silva dos últimos trinta anos), a leitura do caráter figurativo perde-se, recompondo‐se apenas quando as peças são observadas a partir de alguma distância.

A proposta desta mostra à Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva teve por base a influência singular que a pintura de Vieira da Silva exerce na obra do artista. A observação da obra de Vieira e da sua divisão do espaço material numa modulação de pequenos fragmentos de luz e de cor, foram fundamentais formação artística e na prática que Rocha da Silva viria a desenvolver, tendo escolhido a obra de Vieira da Silva como um dos objetos  de estudo no doutoramento que concluiu em 2005.

O diálogo que a pintora mantinha com as formas tradicionais das chamadas artes decorativas portuguesas, como a azulejaria ou a tapeçaria, e que ficou registado em muitas das suas obras, é igualmente, aqui relembrado.

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