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Hein Semke: sinais da guerra
Hein Semke: sinais da guerra
Em 2005, dez anos passados sobre a morte de Hein Semke (1899-1995), quatro instituições culturais da área de Lisboa – Museu do Chiado, Museu Nacional do Azulejo, Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva e Biblioteca Nacional – juntaram-se para homenagear, concomitantemente, este pintor de origem alemã que chegou à nossa capital em 1932.
Cada instituição representará as disciplinas e temas centrais da sua obra, nomeada e respectivamente: retratos e auto-retratos (esculturas e desenhos); os objectos da expressão (cerâmica); sinais da guerra (escultura, desenho e cerâmica); e os seres imaginários (xilogravura).

Afastado da Alemanha por razões de saúde e políticas, Hein Semke encontrou em Lisboa um lugar de existência protegido das profundas convulsões europeias, aí convivendo com os pintores Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, que igualmente procuraram refúgio, então negado pelo Governo português.
É neste contexto de inquietação profunda que os três artistas se reúnem em Lisboa, entre eles tecendo-se afinidades de independência estética e também de sentimentos e ideias, os três construindo imagens angustiadas, os homens trombetas de Arpad, arautos da violência e da desgraça, as cenas de batalha e de refúgio de Maria Helena Vieira da Silva, visões da catástrofe bélica ou, em contraponto, das atitudes de salvaguarda dos mais nobres valores humanos.

O sentimento e a resposta à guerra surge em Hein Semke por duas vias: a do homem como executor e vítima dos seus próprios desastres, através da metáfora religiosa; e a do indivíduo como figura redentora, capaz da construção harmoniosa do Mundo.
Passada a guerra, a angústia dá lugar a sinais de esperança, manifestada na atitude do Poeta (c. 1949), personagem afirmativa dos valores da poesia e da arte que prevalecem sempre sobre todos os horrores da destruição e da morte.
Para a evocação da mítica religiosa, Hein Semke procurou a solenidade perene do bronze; para a evocação do indivíduo serviu-se do registo imediato da cerâmica, transmitindo deste modo a ideia da essencial fragilidade humana no próprio material cerâmico.

* Texto de Paulo Henriques, comissário da exposição
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