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Vieira da Silva e Arpad Szenes. Trayectorias paralelas
Vieira da Silva e Arpad Szenes. Trayectorias paralelas

Vieira da Silva e Arpad Szenes – trajectórias paralelas

Maria Helena Vieira da Silva é autora de uma obra extraordinária que exerce um fascínio certo, que todos conhecemos ou reconhecemos. É pela sua obra que o seu nome é conhecido e, o fascínio e a admiração unânimes, suscitam o desejo de a conhecer mais intimamente. Pretende-se dar a conhecer a pessoa para além da obra. Através de imagens, documentos, obras suas e de Arpad Szenes, seu marido, refez-se o percurso da sua vida e da sua obra, dos locais por onde passou, das amizades de que se rodeou, do homem com quem partilhou a vida.

Inseparáveis na vida e na pintura, Arpad Szenes e Vieira da Silva conheceram-se em Paris em 1928, casaram em 1930 e viveram juntos até à morte de Arpad em 1985. Foram 55 anos de de uma vida em comum de excepcional riqueza, no plano afectivo e criativo. As sua respectivas obras, ainda que muito diferentes, são indissociáveis, alimentadas nas mesmas fontes, e resultam de um convívio diário e enriquecedor. A correspondência entre pinturas situa-se talvez para lá do ponto de vista formal, residindo num entendimento partilhado da arte, na atitude exigente e nas interrogações plásticas que cada um explorou à sua maneira. Mais complexa e atormentada, Vieira da Silva encontrou em Arpad Szenes protecção e encorajamento. Ela ter-lhe-à induzido algum rigor e persistência e ele, por sua vez, contribuiu para uma certa libertação das suas angústias. É neste sentido que se pode falar de complementaridade nas suas obras. Arpad Szenes foi o mestre erudito e atento de Vieira da Silva e por ela se retirou para segundo plano, voluntariamente. Apesar disso, este exemplo de união, marcada pela duração e intensidade, terá o seu desfecho no destino notável de cada um.

Nesta exposição reúnem-se dois pintores associados no trabalho, como o foram na vida. Vieira da Silva alcançou maior protagonismo, sem rivalidades – porque Arpad também foi autor de uma obra notável. Apesar do percurso mais discreto, Arpad Szenes não ignorou as vias contemporâneas da cultura. Foi por opção e temperamento que se concentrou numa abstracção interiorizada. A relação destas duas pinturas é fundamentada na unidade, numa extrema espiritualidade, cada uma iluminando a outra.

As obras expostas pertencem à colecção da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, que foi criada em 1990 (e abriu ao público em 1994) para promover, estudar e divulgar a obra dos artistas. A partir de 1993 teve início a inventariação da colecção da Fundação. A análise das várias incorporações, o estudo e a contextualização das suas obras e avaliação do estado de conservação, bem como a correspondência e outra documentação deram a conhecer mais intimamente Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes. A documentação foi inventariada, estudada, acondicionada e arquivada no Centro de Documentação da Fundação que tem vindo a divulgar o trabalho discreto, laborioso e criterioso que tem vindo a ser feito, desde há cerca de dez anos. O trabalho de pesquisa foi partilhado com a documentalista Sandra Santos. Fotografias e outros documentos enriquecem e esclarecem determinados momentos, lugares e vivências e possibilitam uma contextualização.

Para a exposição foi reunido um conjunto de obras que permite acompanhar o percurso de vida e a evolução da obra dos dois pintores para serem redescobertos pelo público da Galiza.

Marina Bairrão Ruivo
Directora da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva

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