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Vieira da Silva - Gerardo Rueda: um diálogo convergente
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Vieira da Silva - Gerardo Rueda: um diálogo convergente

Vieira-Rueda: um diálogo secreto
Bernardo Pinto de Almeida

A presente exposição, dedicada a um imprevisto diálogo entre as obras de Vieira da Silva e de Gerardo Rueda parte de uma constatação: embora muito mais jovem que a portuguesa, o artista espanhol Gerardo Rueda, que admirava muito a obra, já consagrada na década de 50, quando começou a expor, de Vieira da Silva, manteve na sua própria obra um subtil dialogo poético com a daquela.

Desconhecendo-a embora, na sua expressão desenhística, tal como inevitavelmente Vieira desconhecia a produção em desenho de Gerardo Rueda (embora seja Possível que os dois se tenham conhecido em Paris na década de sessenta traves de amigos comuns) o facto é que as respectivas produções na área do desenho mantêm aproximações sensíveis que importa rever à luz de uma correspondência poética que subtilmente entretecem entre si.

Se hoje é óbvio, para nós, sobretudo depois das observações de Paulo Herkenhoff a respeito, compreender a profunda influência de Vieira na abstracção brasileira e, por tabela, no desenvolvimento posterior do neo-concretismo, não será estranho compreender que, também no caso de Gerardo Rueda essa afinidade se tenha feito sentir.

Por agora, porém, descerremos a cortina que nos leva à compreensão imediata do modo como em Vieira e Rueda uma mesma pulsão inquieta do desenho – que depois o rigor formal e construtivo da pintura de ambos pareceu ocultar – antecipa a descoberta das formas, tal como em ambos o desenho é uma prática constante ao longo de décadas e tem um valor autónomo em relação à pintura, mesmo se não o mostraram depois, guardando-o antes secreto como forma de expressão mais íntima e intimista.

Esse “jogo insensato” que em ambos o desenho inscreveu, de sentido mais poético e privado, como manifestação de uma necessidade de gerar um espaço de invenção liberto das contingências do programa plástico de cada um, aparece-nos agora, nesta exposição, como forma privilegiada de registo do percurso poético e plástico de dois artistas que fizeram da experimentação constante e da prática introspectiva uma disciplina que sustentou, depois, duas obras de grande coerência formal e conceptual.     Abrir essa cortina e potenciar um novo entendimento de um diálogo secreto, mas no entanto visível, foi o nosso propósito ao propormo-nos evidenciar essa relação.

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