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OBRAS DE VIEIRA DA SILVA ADQUIRIDAS PELO ESTADO PORTUGUÊS
OBRAS DE VIEIRA DA SILVA ADQUIRIDAS PELO ESTADO PORTUGUÊS

As seis obras da autoria de Maria Helena Vieira da Silva recentemente - e em boa hora - adquiridas pelo Estado Português, faziam parte da Colecção Jorge de Brito (1927-2006), uma das mais importantes colecções privadas de arte da segunda metade do século XX em Portugal.

A par da sua actividade como banqueiro e investidor, Jorge de Brito, coleccionou e estimulou o mercado das artes, ao longo de várias décadas, sobretudo durante o período da ditadura em Portugal (entre 1950 e 1974). Parte substancial da sua colecção integrou o acervo do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, inaugurado em 1983.

Substituindo-se ao Estado na aquisição de obras marcantes da história da arte portuguesa, foi também graças a Jorge de Brito que a Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva pode, desde a sua abertura ao público em 1994, mostrar ao público algumas das melhores pinturas de Maria Helena Vieira da Silva.

Provavelmente o principal coleccionador privado de obras de Maria Helena Vieira da Silva a nível internacional, Jorge de Brito conservou, até ao fim, um conjunto notável de obras da pintora, parte das quais depositou na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, valorizando e dando coerência à colecção do museu.

Estas seis obras confundem-se com a história do Museu. A amizade entre José Sommer Ribeiro (1924-2006), primeiro director da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, e Jorge de Brito, permitiu que trinta pinturas de Vieira da Silva (e sete de Arpad Szenes) integrassem a exposição inaugural do museu dedicado aos dois artistas. Em Novembro de 1994, na inauguração do Museu, coube a José Sommer Ribeiro e a Guy Weelen (crítico de arte e colaborador do casal Szenes desde 1954), a concepção museológica do espaço e a escolha das obras. Na exposição permanente foi considerada a dupla natureza da obra de Vieira da Silva, ou seja, a profunda importância das raízes portuguesas e a sua faculdade em as universalizar, após contacto com o mundo cultural parisiense. Procurou-se também mostrar a qualidade de Arpad Szenes como pintor e como companheiro de uma grande pintora.

Durante duas décadas, a relação entre o coleccionador e a Fundação foi informal. Estas e outras obras foram entrando e saindo do museu ao longo dos anos. Após a morte de Jorge de Brito, em 2006, a colecção passa para os herdeiros. José Sommer Ribeiro morre pouco depois, nesse mesmo ano.

Em 2011, a maioria das obras foi retirada pelos herdeiros, tendo ficado acordado por protocolo o comodato destas seis obras por um período de quatro anos. Como tantas outras, a Colecção Jorge de Brito foi dispersa em partilhas e leilões. Restaram estas seis obras que importava conservar no museu dedicado a Vieira da Silva. Testemunhos de uma fase de maturidade (entre 1958 e 1970), cada uma destas pinturas é exemplo da pesquisa e invenção conceptual, únicas e intemporais, de Vieira da Silva. Os textos da investigadora Joana Baião (IHA, FCSH,UNL), que acompanham as obras em exposição, ajudam a perceber a sua história e a sua importância.

O Estado assumiu agora, corajosamente, as suas responsabilidades, comprando o que, no tempo próprio, não soube valorizar. Nas palavras de José Manuel dos Santos, administrador desta Fundação, “Neste momento, agradecer ao governo a certeza da vontade que teve, é agradecer ao primeiro-ministro, António Costa, e ao ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, a sua lucidez e as boas consequências dela. É agradecer o interesse e a responsabilidade. É agradecer a perseverança e a paciência. É agradecer a ousadia e a astúcia.”

É uma enorme emoção acolher este património artístico no Museu de Vieira da Silva e partilhá-lo com todos.

Marina Bairrão Ruivo
Directora da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva


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