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ARPAD SZENES. OBRAS DA COLECÇÃO
Sala de exposições temporárias
30 Janeiro 2020 - 12 Abril 2020
ARPAD SZENES. OBRAS DA COLECÇÃO

A Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva celebra 2020 com a primeira inauguração dedicada a um dos artistas da casa. Arpad Szenes. Obras da colecção traz ao público 60 obras do espólio do museu, numa selecção que destaca algumas das séries que marcaram o percurso do artista, dos anos 1930 a 1980. A exposição vai estar patente nas salas de exposições temporárias e pode ser visitada entre 31 de Janeiro e 12 de Abril.

As obras de Arpad Szenes e de Vieira da Silva, ainda que muito diferentes, são indissociáveis, uma vez que foram alimentadas pelas mesmas fontes, em convívio diário, ao longo de 55 anos de vida em comum. Arpad Szenes foi o mestre erudito e atento de Vieira da Silva e por ela, voluntariamente, se retirou para segundo plano.

A partir de 1930, ano em que casaram, Arpad Szenes desenhou e pintou exaustivamente Vieira da Silva: calma e silenciosa, concentrada no seu trabalho, a pintora foi o modelo ideal, o tema perfeito. Dessa época datam também vários desenhos e óleos que retratam o casal, série que ficou conhecida como Le Couple e que serviu de pretexto para investigações plásticas mais tardias, como as Conversations - a partir de 1945 –, e os Banquets - a partir de 1948. Nos desenhos da série Le Couple, começava a delinear-se a influência que a estética do movimento surrealista teria em Arpad Szenes. Essa influência esteve presente em outras séries temáticas, como Cerfs-volants (papagaios de papel), Caparica (que revela o impacto que a costa portuguesa teve na pintura de Arpad, relembrando atmosferas que o pintor associava à sua infância e juventude na Hungria) ou Hommes-Trompettes / Guerriers (onde a apreensão provocada pelo prenúncio da II Grande Guerra estava já presente).

O conflito na Europa levou o casal ao exílio no Brasil, entre 1940 a 1947. A pintura de Arpad Szenes tornou-se mais íntima e familiar e Maria Helena foi retratada inúmeras vezes, imersa no trabalho, lendo ou repousando. Este conjunto de obras, denominado Marie-Hélène, é um dos núcleos presente nesta exposição e que faz a ponte para a série seguinte, espaço de diálogo e reflexão, que se seguiu ao regresso dos artistas a Paris: as Conversations.

Ao longo da década de 1950 e em diante, altura em que explora a geometrização das formas e abandona o referente figurativo na pintura, Szenes iniciou o caminho para a abstração. As formas tendiam a aligeirar, a cor a diluir-se e a composição deu lugar a uma evocação, numa espécie de suspensão temporal. Os anos 1960 a 1980 foram de intensa produção e a luz passou a reger a sua pintura, lentamente elaborada em longos formatos horizontais ou verticais que revelavam uma delicadeza espacial sugerida pela arte japonesa. Arpad Szenes concentrava-se nas paisagens imaginadas, metafóricas, que evocavam um espaço infinito, estratificado. A paleta de cores - o branco e as suas variações de cinzentos, os azuis e os ocres ou amarelos – passou a ser sabiamente aplicada com vista a traduzir o espaço, a explorar a luz e as atmosferas que a pintura procurava evocar.

 

A obra de Arpad Szenes foi várias vezes referida como silenciosa e evocativa, obedecendo a um ritmo interior e alheia ao sucesso imediato. Apesar do percurso marginal, da modéstia e discrição que o caracterizaram, Arpad Szenes não ignorou as vias contemporâneas do seu tempo.
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