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RE-MOVE. SOFIA PIDWELL E YONAMINE
Galeria piso 0
25 Fevereiro 2014 - 27 Abril 2014
RE-MOVE. SOFIA PIDWELL E YONAMINE
Não existindo um caminho lógico para a descoberta das leis do
Universo, encontram-se Sofia e Yonamine para estabelecer uma
realidade evidente, fruto da sua colaboração. Uma expressão
entendida como fluxo natural, radicada em processos intuitivos
e actos espontâneos. É dos seus actos indispensáveis, que se
trata este exercício, esta exposição na FASVS.
Como em todas as colaborações, a questão primordial consistiu
no modo como duas entidades tão diferenciadas se podem
relacionar sem que uma anule a outra. Neste caso, o método
criativo de um dos autores, Yonamine, pela sua abordagem
espacial disseminadora e cumulativa, revelou-se, naturalmente,
como a plataforma de entendimento comum, e o exercício
essencial residiu na aceitação do outro (na qualidade do que
é diferente), para além desta constatação.
Numa recente exposição, Sofia Pidwell apresentava uma série de
desenhos abstractos de formas orgânicas, onde se destacavam
imagens fractais, pormenorizadas, que a natureza por vezes
nos oferece. Se tentássemos estabelecer uma classificação
taxonómica, atendendo ao carácter fractal dos desenhos, eles
fariam parte do grupo estocástico: apesar de possuírem um
padrão, os pormenores não se replicam, são indeterminados e
têm a sua origem num evento aleatório. São fruto do acaso, da
espontaneidade e da intuição.
O trabalho de Yonamine pouco ou nada tem de abstracto.
Porém, o seu manancial criativo radica na intuição, enquanto
faculdade primordial. Partindo de uma leitura do mundo pós-
-capitalista, Yonamine construiu um arquivo pessoal aleatório
de imagens e símbolos da cultura mass media globalizada.
A sua composição, como um mural cheio de história(s), revela,
ao acaso, acontecimentos desportivos, logótipos, imagens
– ora de sexo explícito, ora de personagens políticos, ora de
estereótipos culturais – junto a palavras de ordem, e outras,
subvertendo leituras e sentidos que se manifestam e reorganizam
para uma reflexão irónica numa prática artística contemporânea,
descentrada dos cânones da cultura dominante.
Em RE-MOVE temos um cadáver esquisito escrito por desenho,
pintura, colagem, imagens icónicas e populares, e matéria
pictórica. A linguagem manifesta-se como afirmação gráfica
em sobreposições intervencionadas, corrigidas, acrescentadas,
sobrepostas, num tira e retira, mostrando os frutos da
complementaridade ou dos excessos dos universos criativos dos
autores. Um lugar que a razão percebe mas não determina.

Natxo Checa, Fevereiro 2014.


CURADORIA Natxo Checa
PRODUÇÃO Patricia Pires de Lima
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