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Vieira da Silva Obra gráfica | L’ Inclémence lointaine de René Char
MEIAC- Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz
12 Junho 2018 - 16 Setembro 2018
Vieira da Silva Obra gráfica | L’ Inclémence lointaine de René Char
Allégeance. René Char e Vieira da Silva
Sandra Santos

A amizade entre Vieira da Silva e René Char pode ser seguida ao longo das várias páginas
de poemas e imagens (guache, gravura, desenho) que um e outro se dedicaram, entre 1953,
o ano em que se conheceram, em Paris, e 1988, o ano da morte de Char.
Tudo começou quando, a pedido do poeta, Yvonne Zervos, galerista casada com o editor
da revista Cahiers d’Art, o levou a conhecer Maria Helena. Admirador da pintura da artista,
Char entrega-lhe na ocasião oito poemas seus, manuscritos em papel Arches, para que ela os
ilustrasse. Foi necessário um ano de maturação, entre estadias em Portugal e compromissos
outros, até surgir o resultado, oito guaches para oito poemas, que iriam figurar, cerca de 20
anos depois, em duas exposições de René Char, em 1971 e em 1980.
Nascidos com um ano de diferença – ele em 14 de Junho de 1907 e ela em 13 de Junho
de 1908 – e ambos orfãos de pai na infância, Char e Vieira partilham o gosto pela escrita e
pela arte, cada um imerso num universo pessoal onde a angústia dá lugar a uma persistência
criativa, e a insegurança a uma obstinação na pesquisa. Char admira esta força em
Vieira, a quem apelida de «Chère Déesse Impératrice», e Vieira maravilha-se com o poder
de evocação do poeta, que insiste em partilhar com ela manuscritos e esboços de poemas,
sempre atento às suas observações. Em retorno devolve-lhe desenhos e pinturas, estimulada
pela imagética sugerida pelas palavras. Marmonnement, poema de 1954, várias vezes revisto
por Char, foi alvo de múltiplos ensaios plásticos por Vieira da Silva, integrando finalmente
a obra L’Inclémence lointaine.
A troca regular de desenhos, a guache ou tinta da China, e de poemas dedicados, por
ocasião de dias festivos ou aniversários, enriquece esta amizade que se desvela de forma discreta
em artigos (“Sept merci pour Vieira da Silva”, in Cahiers d’Art, 1955) e prefácios de Char para
catálogos de Vieira da Silva (Paris, 1960; Lausana, 1964), e que ganha destaque nas edições
a dois, em particular na obra L’Inclémence lointaine.
Esta antologia de 52 poemas de René Char, ilustrada por 25 gravuras a buril sobre cobre
de Vieira da Silva, foi editada por Pierre Bères em 1961 e teve uma tiragem de 130 exemplares.
No mesmo ano as gravuras foram alvo de uma exposição na Galerie Jeanne Bucher,
em Paris, com catálogo prefaciado pelo poeta.
[excerto do texto do catálogo]
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