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VIEIRA DA SILVA | GRAVURAS
Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal
10 Março 2017 - 31 Maio 2017
VIEIRA DA SILVA | GRAVURAS
VIEIRA DA SILVA
E AS COMEMORAÇÕES DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER/2017
O MAEDS tem vindo a assinalar o Dia Internacional da Mulher desde 1975,
e fá-lo em 2017 na convicção de que a igualdade de género supõe igualdade
económica e novos comportamentos culturais, os quais por seu turno
pressupõem o conhecimento da intervenção vanguardista da mulher nos
mais diversos domínios da criação. Assim, este é o momento certo para
mostrar na região de Setúbal a obra gravada de uma das mais importantes e
internacionalizadas artistas plásticas portuguesas do século XX –
Helena Vieira da Silva.
Verdadeiramente, podemos afirmar que Helena Vieira da Silva se reencontrou
plenamente com o seu país e com a sua cidade, Lisboa, depois de um longo
exílio, quando a Liberdade desceu à rua e a Democracia substituiu a estagnada
ditadura do chamado Estado Novo. Os dois cartazes alusivos ao 25 de Abril,
incluídos na presente exposição, são um símbolo dessa revolução popular e
neles continuam a ressoar as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen:
Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/
Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo
(In O Nome das Coisas, 1977).
Começámos a ver Helena Vieira da Silva entre nós, na década de 80.
As paredes da estação de metro da cidade universitária restituíam-nos o amor
próprio, trazendo para diante dos olhos e do coração o ser português na
modernidade: Fernando Pessoa e também as palavras de Cesário Verde,
os habitantes e a cidade nessa grande narrativa pictórica inscrita em suporte
azulejar de multicentenária tradição artística portuguesa. A uma obra ímpar
feita de reflexão, memórias, inquietações, muito trabalho e genialidade,
Vieira da Silva junta a experiência de uma vida marcada pela emancipação,
pela ousadia, resiliência e coragem. No seu nomadismo e errância, foi,
na juventude, de Lisboa para Paris, a cidade-luz da vanguarda artística,
com o objectivo de continuar a formação; aí casou, aos 22 anos, com o pintor
Arpad Szenes, de origem húngara, perdendo a nacionalidade portuguesa;
de Paris voltou a Lisboa sob o espectro da II Guerra Mundial, onde tentou
em vão obter nacionalidade portuguesa; essa recusa obrigou-a a viajar para
o Brasil em 1940. Regressa com Arpad a Paris em 1947. A partir da década de
50 a sua obra atinge a maturidade e o reconhecimento internacional, com
exposições nas mais importantes capitais europeias e na América.
A Fundação Calouste Gulbenkian, na década de 70, e o Metropolitano
de Lisboa, em 1983, criam finalmente condições para resgatar do
esquecimento a obra e a vida de Maria Helena Vieira da Silva, nascida em
Lisboa em 1908.
Vieira da Silva criou um estilo próprio e inconfundível, com as suas bibliotecas,
cidades e labirintos, estruturas desdobradas em infindáveis layers,
que revelam a obsessão de ver mais longe, de prosseguir uma infindável
marcha de descoberta por planos cada vez mais longínquos, deixando-nos
um enorme legado de esperança e de confiança na capacidade humana
de superar fronteiras ao encontro da perfeição e do amor sempre possível...
Joaquina Soares
Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal

VIEIRA DA SILVA E AS COMEMORAÇÕES DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER 2017

 

O MAEDS tem vindo a assinalar o Dia Internacional da Mulher desde 1975, e fá-lo em 2017 na convicção de que a igualdade de género supõe igualdade económica e novos comportamentos culturais, os quais por seu turno pressupõem o conhecimento da intervenção vanguardista da mulher nos mais diversos domínios da criação. Assim, este é o momento certo para mostrar na região de Setúbal a obra gravada de uma das mais importantes e internacionalizadas artistas plásticas portuguesas do século XX – Helena Vieira da Silva.

Verdadeiramente, podemos afirmar que Helena Vieira da Silva se reencontrou plenamente com o seu país e com a sua cidade, Lisboa, depois de um longo exílio, quando a Liberdade desceu à rua e a Democracia substituiu a estagnada ditadura do chamado Estado Novo. Os dois cartazes alusivos ao 25 de Abril, incluídos na presente exposição, são um símbolo dessa revolução popular e neles continuam a ressoar as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen:


Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/

Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo

(In O Nome das Coisas, 1977).

 

Começámos a ver Helena Vieira da Silva entre nós, na década de 80. As paredes da estação de metro da cidade universitária restituíam-nos o amor próprio, trazendo para diante dos olhos e do coração o ser português na modernidade: Fernando Pessoa e também as palavras de Cesário Verde, os habitantes e a cidade nessa grande narrativa pictórica inscrita em suporte azulejar de multicentenária tradição artística portuguesa. A uma obra ímpar feita de reflexão, memórias, inquietações, muito trabalho e genialidade, Vieira da Silva junta a experiência de uma vida marcada pela emancipação, pela ousadia, resiliência e coragem. No seu nomadismo e errância, foi, na juventude, de Lisboa para Paris, a cidade-luz da vanguarda artística, com o objectivo de continuar a formação; aí casou, aos 22 anos, com o pintor Arpad Szenes, de origem húngara, perdendo a nacionalidade portuguesa; de Paris voltou a Lisboa sob o espectro da II Guerra Mundial, onde tentou em vão obter nacionalidade portuguesa; essa recusa obrigou-a a viajar para o Brasil em 1940. Regressa com Arpad a Paris em 1947. A partir da década de 50 a sua obra atinge a maturidade e o reconhecimento internacional, com exposições nas mais importantes capitais europeias e na América. A Fundação Calouste Gulbenkian, na década de 70, e o Metropolitano de Lisboa, em 1983, criam finalmente condições para resgatar do esquecimento a obra e a vida de Maria Helena Vieira da Silva, nascida em Lisboa em 1908.

Vieira da Silva criou um estilo próprio e inconfundível, com as suas bibliotecas, cidades e labirintos, estruturas desdobradas em infindáveis layers, que revelam a obsessão de ver mais longe, de prosseguir uma infindável marcha de descoberta por planos cada vez mais longínquos, deixando-nos um enorme legado de esperança e de confiança na capacidade humana de superar fronteiras ao encontro da perfeição e do amor sempre possível...

 

Joaquina Soares

 

Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal

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