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BRINCAR DIANTE DE DEUS. Arte e liturgia: Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro
04 Julho 2019 - 27 Outubro 2019
BRINCAR DIANTE DE DEUS. Arte e liturgia: Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro
No ano de celebração dos seus 25 anos de abertura ao público, o Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva apresenta uma mostra inédita
de obras de artista criadas para integrar espaços religiosos ou para usar durante o culto.
A exposição Brincar diante de Deus. Arte e liturgia: Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro, com curadoria de Paulo Pires do Vale, traz ao
museu criações de Henri Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro realizadas para servirem um propósito religioso.
Na origem desta exposição estão os, nunca expostos, paramentos de Lourdes Castro, feitos para a Capela Árvore da Vida, do Seminário
de Braga (2012-2015), aos quais juntamos as vestes litúrgicas realizadas por Matisse para a Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Vence
(1949-1951) e as imagens dos vitrais que Vieira da Silva projetou para a Igreja de Saint-Jacques de Reims (em 1966) e os seus painéis para
a sacristia da capela do Palácio do Marquês de Abrantes, em Lisboa, (de 1982-1986).
De maneiras muito distintas, com linguagens diferenciadas, há nos três artistas uma reflexão sobre a luz, a cor e a matéria, como parte
da vida e da sua celebração: da explosão festiva e do fulgor da cor litúrgica da alegria em Matisse, à simplicidade do gesto, a pobreza do
branco e a verdade da matéria, em Lourdes Castro.
A exposição levantará, também, outras questões: que estatuto têm estas peças? São arte, se têm uma utilidade e funcionalidade? Pode
vestir-se uma obra? E como fica o lugar-comum apressado que afirmou repetidamente a separação entre arte e religião no século XX?
E não será a liturgia uma forma de performance (ou a origem dela)? Será a arte uma liturgia, ou a liturgia uma forma de arte?
De forma radical, Romano Guardini afirmou: «Viver liturgicamente, é (...) tornar-se uma obra de arte viva diante de Deus. É cumprir a palavra
do Mestre e “fazer-se criança”». E acrescentou: «Não é trabalho, é jogo. Brincar diante de Deus. Não criar, mas ser cada qual uma
obra de arte, eis a essência íntima da liturgia». A liturgia remete para a sensibilidade do ver, do ouvir, do tocar, do cheirar. Para o espaço
que envolve o crente e para o corpo em ação. Realidades materiais que são mediação e performatividade do mistério: “sinais sensíveis
da graça invisível”. Uma coreografia, um jogo ritual, uma festa - uma linguagem, a um tempo, física e espiritual, aberta às culturas na
sua diversidade. A liturgia é forma de incarnação da relação com o divino, em cada tempo e lugar.
A exposição estará patente ao público até 27 de Outubro de 2019.
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