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QUANDO A ARTE É PARTILHA. DOAÇÕES E DEPÓSITOS NO MUSEU
17 Janeiro 2019 - 17 Março 2019
QUANDO A ARTE É PARTILHA. DOAÇÕES E DEPÓSITOS NO MUSEU

Vieira da Silva e Arpad Szenes encontram-se representados em colecções de museus, mas também em colecções privadas ou de instituições não museológicas. Estas colecções são complementos insubstituíveis dos acervos dos museus.

É prática - internacional e nacional - comum às grandes empresas patrocinar a Arte sob diversas formas: adquirindo obras e formando colecções, promovendo e divulgando a arte contemporânea ou prestigiando a imagem de uma instituição, associando-se à criação artística actual. As colecções são geralmente iniciadas pelo somatório de peças sem um objectivo muito claro ou na perspectiva de um bom investimento financeiro, mas com o tempo ganham importância, crescendo com aquisições e acréscimos de outras colecções de proveniências variadas, associando a história de várias instituições (caso da fusão de instituições) e exigindo a profissionalização da sua gestão. Torna-se indispensável a unificação do acervo, a sua catalogação, conservação e restauro e divulgação. Só o olhar de especialistas permite contextualizar e valorizar o património reunido: o processo do coleccionismo deixa de ser acumulativo para se tornar um instrumento de conhecimento e de integração social, um convite à fruição e à reflexão. As parcerias com os museus e os investigadores são fundamentais para estudar, preservar, contextualizar e divulgar este património artístico.

As colecções particulares estão intimamente ligadas à figura do coleccionador, comprador, mecenas, promotor e cúmplice dos artistas ou da sua obra. Cada coleccionador é distinto e cada colecção tem regras próprias: gosto, paixão, rigor selectivo, tempo e intimismo, são indissociáveis do indivíduo. Antes da ideia de formar uma colecção existe provavelmente o desejo de ter nas paredes o que mais gostam e o convívio com as obras de arte torna-se necessário e indispensável. Ao contrário das colecções públicas, que têm a obrigação institucional de contar a história, uma colecção particular pode especializar-se a partir da visão particular do seu proprietário, das suas opções. A colecção pode ser intíma, ecléctica, baseada num interesse por determinado artista. São, muitas vezes, obras menos vistas e que permitem uma enriquecedora visão da historiografia da arte quando enquadradas e reveladas. As colecções particulares são conjuntos dinâmicos que enriquecem a rede de significados, numa teia de relações, assumindo um papel preponderante na relação com os museus, com a investigação e a história. As colecções particulares foram, desde sempre, centrais para a renovação e desenvolvimento das artes plásticas. Muitos foram os coleccionadores que concentraram o seu interesse em determinados artistas e cujas obras pertencem hoje à história da arte e fazem parte do nosso património.

Esta exposição é também uma homenagem aos colecionadores que doaram ou depositaram as suas obras no museu, tornando-as acessíveis ao público.

A opção de depositar as obras de Maria Helena Vieira da Silva e de Arpad Szenes no museu de seu nome, é uma escolha óbvia. Aqui, as obras são disponibilizadas ao público ao mesmo tempo que podem ser estudadas e partilhadas.

 

 

Marina Bairrão Ruivo

 

 

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