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TAPEÇARIAS DE PORTALEGRE NA OBRA DE VIEIRA DA SILVA
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26 Junho 2014 - 26 Outubro 2014
TAPEÇARIAS DE PORTALEGRE NA OBRA DE VIEIRA DA SILVA

NOTA DE IMPRENSA (PDF)

A Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva apresenta, em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, a exposição de tapeçarias de Maria Helena Vieira da Silva. A exposição, com curadoria de Vera Fino, integra todas as tapeçarias realizadas na Manufactura e agora na posse de instituições e particulares. A única  excepção é a obra Êxodo, de 1981, que pela sua enorme dimensão não  pode ser exposto no espaço do museu. O primeiro contacto de Maria Helena Vieira da Silva com o têxtil data de 1929, ao realizar maquetas de tecidos e tapetes para um atelier em Paris, que nunca viriam a ser executados. Em 1937, Vieira da Silva e a Arpad Szenes recebem como encomenda copiar uma pintura de Matisse e outra de Braque, para serem reproduzidas em tapeçaria: a de Braque seria tecida, a de Matisse não. Em 1954, Vieira da Silva ganha o concurso de tapeçarias que serviria para celebrar o centésimo aniversário da Universidade de Basileia, projecto que desenvolve durante vários anos e que terá sido o primeiro e o mais importante para a artista na área do têxtil. Em 1965, outras manufacturas realizam tapeçarias a partir de obras de Vieira da Silva,  como a Manufactura de Beauvais e os ateliers Gobelins.

Em Portugal, a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, por iniciativa de Guy Fino, inicia em 1968 a execução de um importante conjunto de tapeçarias a partir de obras de Vieira da Silva; não tendo intervenção directa nas peças, as tapeçarias tecidas a partir da sua obra agradavam-lhe. Todavia, Vieira da Silva criou poucos verdadeiros cartões de tapeçaria, em resposta a encomendas: em 1960 realizou o cartão Mouraria para as Manufacturas de Portalegre (a tapeçaria só seria realizada em 1975), um desenho de composição e cor simples; em 1971 concebe uma Biblioteca para a sala das Actas da Faculdade de Letras da Universidade de Bordéus, produzida nos Ateliers Pinton d’Aubusson. A pedido do Estado francês, Vieira da Silva pinta uma segunda versão, com uma gama de cores completamente modificada: a conhecida Bibliothèque en feu (1970-1974), obra notável adquirida pela da Fundação Calouste Gulbenkian, também realizada nos Ateliers Pinton.

Em 1981 o Ministério da Cultura e o Ministério dos Negócios Estrangeiros franceses encomendam a Vieira da Silva uma tapeçaria destinada ao altar da capela do Palácio dos Marqueses de Abrantes, sede da Embaixada de França em Lisboa, para além de cinco painéis pintados destinados à sacristia. Feita uma experiência com um pormenor do original, uma tapeçaria de pequenas dimensões para testar a técnica e confirmar a opção dos tons quente e claros que, conjugados com o tema espiritual melhor estabelecessem uma relação directa com os cinco painéis, seria então produzida a tapeçaria final.

A Manufactura de Tapeçarias de Portalegre em 1946, fundada por Guy Fino e Manuel do Carmo Peixeiro, e ainda hoje se dedica a preservar e reabilitar a arte da tecelagem,  e a reafirmar a técnica da tapeçaria como técnica artística original. Maria Helena Vieira da Silva, como outros artistas portugueses, participou na promoção da arte através da prática da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, iniciando um incontornável processo de autonomia da tapeçaria artística. É da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, hoje fragilizada pela escassez de recursos humanos e financeiros, o maior conjunto de tapeçarias suas, que permite apreender a diversidade e a unidade da sua produção artística.
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