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GERALDO DE BARROS: FOTOFORMAS E SOBRAS
Museu
15 Julho 2017 - 17 Setembro 2017
GERALDO DE BARROS: FOTOFORMAS E SOBRAS
A Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, apresenta a exposição de
fotografia de Geraldo de Barros, Fotoformas e Sobras, integrada na programação da Passado e Presente – Lisboa, Capital
Ibero-americana de Cultura 2017. Comissariada por Michel Favre, a exposição traz-nos parte da colecção do Arquivo Geraldo
de Barros, sediado em Genebra, na Suiça, e dá-nos a conhecer a obra de um dos mais radicais e fundamentais artistas da
modernidade brasileira.
Geraldo de Barros, São Paulo (1923-1998), foi um artista múltiplo, um permanente experimentador, um artista comprometido
com a arte de intervenção através dos muitos movimentos em que participou, sendo um excelente exemplo a comunidade de
trabalho UNILABOR, que alterou os processos de produção tradicionais de mobiliário de modo a beneficiar os trabalhadores e
os clientes. Foi um activista em vários colectivos de artistas brasileiros, como o Grupo XV nos anos 40, o grupo de arte concreto
Ruptura em 1952, a comunidade de trabalho e fábrica de móveis UNILABOR e o Grupo Rex nos anos 60.
Como afirma a historiadora de arte Ana Maria Belluzzo, Geraldo de Barros foi um artista plural que inventou uma poética
própria - pintando, desenhando móveis, criando cartazes para cinema e logótipos, realizando fotografias - e com ela marcou
profundamente o Brasil, do pós-Guerra até ao final da sua vida.
As séries apresentadas nesta exposição são a mais expressiva representação da fotografia abstracta criada por Barros e correspondem
a dois períodos em que a fotografia foi o centro da sua actividade como artista. Fotoformas é uma série iniciada
em 1946, que tem o seu expoente na exposição no Museu de Arte de São Paulo, apresentada entre os dias 2 e 18 de Janeiro
de 1951, com museografia de Lina Bo Bardi, e constituiu um momento iconoclasta na sociedade paulistana de então. Como
diz a sua filha, a artista Fabiana de Barros, o fotógrafo fez tábua rasa do que era fotografia e seguiu o caminho contrário ao
recomendado no manual de fotografar: fotografou a contra-luz, sobrepôs e manipulou os negativos, alterou tempos de exposição
e foi abandonando o retrato figurativo, o que lhe valeu ser identificado pelo crítico belga Léon Degand, chegado em
1948 ao Brasil, um pioneiro do abstracionismo contra o figurativismo ultrapassado. É determinante para o trabalho de Barros
o contacto com a obra de Max Bill, em 1950, nomeadamente pela dimensão construtiva, razão que o leva a viajar para a Suíça
em 1951, e depois para Ulm, na Alemanha, para estudar com Otl Aicher os fundamentos do design gráfico. Foi o trabalho
visual, construtivo e modular de Barros que mais beneficiou dos ensinamentos de Bill.
Após uma carreira em pintura e desenho de mobiliário de uma forma industrial até os anos 80, Barros regressou à fotografia,
ou, para ser mais exacto, à reinvenção do trabalho das imagens a partir das fotografias, em 1996 (dois anos antes de falecer)
com a série Sobras.
Sobras, as suas últimas obras, são feitas a partir de negativos do arquivo pessoal do artista, recortados e montados sobre
placas de vidro e depois pintados com tinta-da-china e enquadrados por fita adesiva. Sobras tem origem, na sua maioria, em
fotografias tiradas à família. São sobras de passeios de família, de viagens, de encontros, de fotografias ocasionais guardadas
em gavetas que para muitos estudiosos de Barros (Ruben Fernandes em particular) correspondem a uma atitude melancólica
do artista, ainda que poética e sem qualquer interpretação psicológica. E são sinal da radicalidade com que o artista sempre
olhou e concebeu a arte.
A exposição estará patente até 17 de Setembro de 2017.

A Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, apresenta a exposição de fotografia de Geraldo de Barros, Fotoformas e Sobras, integrada na programação da Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017. Comissariada por Michel Favre, a exposição traz-nos parte da colecção do Arquivo Geraldo de Barros, sediado em Genebra, na Suiça, e dá-nos a conhecer a obra de um dos mais radicais e fundamentais artistas da modernidade brasileira.

Geraldo de Barros, São Paulo (1923-1998), foi um artista múltiplo, um permanente experimentador, um artista comprometido com a arte de intervenção através dos muitos movimentos em que participou, sendo um excelente exemplo a comunidade de trabalho UNILABOR, que alterou os processos de produção tradicionais de mobiliário de modo a beneficiar os trabalhadores e os clientes. Foi um activista em vários colectivos de artistas brasileiros, como o Grupo XV nos anos 40, o grupo de arte con­creto Ruptura em 1952, a comunidade de trabalho e fábrica de móveis UNILABOR e o Grupo Rex nos anos 60.

Como afirma a historiadora de arte Ana Maria Belluzzo, Geraldo de Barros foi um artista plural que inventou uma poética própria - pintando, desenhando móveis, criando cartazes para cinema e logótipos, realizando fotografias - e com ela marcou profundamente o Brasil, do pós-Guerra até ao final da sua vida.

As séries apresentadas nesta exposição são a mais expressiva representação da fotografia abstracta criada por Barros e cor­respondem a dois períodos em que a fotografia foi o centro da sua actividade como artista. Fotoformas é uma série iniciada em 1946, que tem o seu expoente na exposição no Museu de Arte de São Paulo, apresentada entre os dias 2 e 18 de Janeiro de 1951, com museografia de Lina Bo Bardi, e constituiu um momento iconoclasta na sociedade paulistana de então. Como diz a sua filha, a artista Fabiana de Barros, o fotógrafo fez tábua rasa do que era fotografia e seguiu o caminho contrário ao recomendado no manual de fotografar: fotografou a contra-luz, sobrepôs e manipulou os negativos, alterou tempos de ex­posição e foi abandonando o retrato figurativo, o que lhe valeu ser identificado pelo crítico belga Léon Degand, chegado em 1948 ao Brasil, um pioneiro do abstracionismo contra o figurativismo ultrapassado. É determinante para o trabalho de Barros o contacto com a obra de Max Bill, em 1950, nomeadamente pela dimensão construtiva, razão que o leva a viajar para a Suíça em 1951, e depois para Ulm, na Alemanha, para estudar com Otl Aicher os fundamentos do design gráfico. Foi o trabalho visual, construtivo e modular de Barros que mais beneficiou dos ensinamentos de Bill.

Após uma carreira em pintura e desenho de mobiliário de uma forma industrial até os anos 80, Barros regressou à fotografia, ou, para ser mais exacto, à reinvenção do trabalho das imagens a partir das fotografias, em 1996 (dois anos antes de falecer) com a série Sobras.

Sobras, as suas últimas obras, são feitas a partir de negativos do arquivo pessoal do artista, recortados e montados sobre placas de vidro e depois pintados com tinta-da-china e enquadrados por fita adesiva. Sobras tem origem, na sua maioria, em fotografias tiradas à família. São sobras de passeios de família, de viagens, de encontros, de fotografias ocasionais guardadas em gavetas que para muitos estudiosos de Barros (Ruben Fernandes em particular) correspondem a uma atitude melancólica do artista, ainda que poética e sem qualquer interpretação psicológica. E são sinal da radicalidade com que o artista sempre olhou e concebeu a arte.

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