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ARTISTAS PORTUGUESES. Obras da colecção particular de Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes
Galeria piso 0
10 Outubro 2013 - 06 Fevereiro 2014
ARTISTAS PORTUGUESES. Obras da colecção particular de Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes

           

Nós ambos [Vieira da Silva e Arpad Szenes] acompanhamos com muito interesse o desenvolvimento artístico dos jovens pintores portugueses que aqui nos procuram, incutindo-lhes coragem e orientando-os quanto possível no início das suas carreiras.”

Maria Helena Vieira da Silva, 1958

 

             A colecção de obras de arte de Maria Helena Vieira da Silva e de Arpad Szenes não resultou de um projecto pessoal, de uma vontade expressa e concretizada de criação de um núcleo de originais. Não se tratou também de um investimento ou aforro; a visão da arte como um bem comercial que traria futuros dividendos ainda não era generalizada. Vieira da Silva, não sendo uma coleccionadora metódica, revelava gosto em adquirir algumas peças de cerâmica, na maioria artesanato e arte popular, e azulejos antigos, que gostava de montar em renovadas composições.

            Quando apresentamos a exposição dos artistas portugueses da colecção particular de Vieira da Silva e de Arpad Szenes, falamos portanto de uma colecção não planeada, que funciona como uma espécie de diário, de álbum de clichês, registo de afectos e vivências, que situa, através da produção artística, a presença de determinada pessoa em determinado momento. São na maioria ofertas, algumas aquisições – em parte para ajudar os “jovens artistas” – que revelam parte da história do casal e dos que com ele se relacionaram. O valor patrimonial da colecção é relativo, o valor afectivo é considerável. O facto de terem mantido, ao longo dos anos, muitas vezes em destaque nas casas ou ateliês, alguns destes trabalhos, revela a importância que os artistas lhes atribuíam.

            A selecção aqui apresentada engloba o núcleo de artistas portugueses da colecção e que são hoje parte do acervo da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva. Não estamos em presença de obras de consagração, mas de obras de começo de carreira, dádivas que eram em simultâneo homenagem e pedido de aprovação. E o casal nunca desapontava, recebendo com a generosidade de quem já viu o seu trabalho reconhecido, a obra de quem almeja um dia um sucesso semelhante.

            Tanto Arpad Szenes (em 1925) como Vieira da Silva (em 1928) optaram por sair dos seus países de origem para viver em Paris, motivados pelas necessidades de uma pintura cada vez mais exigente e pelo estímulo cultural e intelectual da cidade. Conheceram o exílio no Brasil (1940-1947) e foram apátridas durante muitos anos (até 1956, ano em que lhes foi concedida a nacionalidade francesa). O casal manteve sempre um contacto regular com artistas e intelectuais portugueses, nas frequentes visitas a Portugal ou em Paris, onde eram regularmente procurados.

             O êxodo criativo, em Portugal nas décadas de 1950 e 1960, motivado por dissidência cultural ou política convergia sobretudo para Paris. Também a criação da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1956, trouxe novas perspectivas à actividade cultural em Portugal e a sua política de apoio às artes e, em particular a atribuição de bolsas de estudo no estrangeiro, proporcionou aos jovens artistas novos contactos com a arte internacional.

          A generosidade de Maria Helena Vieira da Silva e de Arpad Szenes era conhecida, em especial para com os jovens artistas portugueses que chegavam a Paris com poucos recursos. O casal interessava-se pelas suas experiências pictóricas, providenciava discretamente para que não lhes faltasse materiais, visitava os seus ateliês e convidava-os regularmente para sua casa, oferecendo um desenho ou um guache para poderem vender quando a necessidade era mais premente.

A exposição agora apresentada é complementada por documentação, fotografias e correspondência do acervo documental da Fundação.

 

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