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Lourdes CASTRO
Lourdes CASTRO

Funchal, 9 de Dezembro de 1930 -

Lourdes Castro frequentou o curso de Pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa (1950-1956). Após uma passagem por Munique, em 1958 instala-se em Paris com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, onde vive até voltar à Madeira, em 1983.

Foi co-fundadora, juntamente com René Bertholo, com quem casa, da revista KWY, publicada entre 1958 e 1963, edição que rapidamente se transformou num grupo a que muitos artistas portugueses se juntaram e que chegou a estar representado em exposições em Sarrebrucken, Lisboa, Paris e Bolonha.

A década de 60 é repleta de marcos na sua produção artística: começa a desenvolver a sua imagem de marca – a sombra dos objectos; trabalha sobre o tema das colagens; introduz a cor no seu trabalho. No âmbito destes trabalhos, Lourdes experimenta a técnica da serigrafia, o plexiglass e mesmo o pano como bases para o seu trabalho. Tudo culminará no efeito das “sombras em movimento”, em 1973.

Lourdes Castro participou em inúmeras exposições nacionais e no estrangeiro. Para além da retrospectiva organizada Fundação Calouste Gulbenkian em 1992 e da representação de Portugal na XVIII Bienal de São Paulo, conjuntamente com Francisco Tropa, em 2000, as últimas grandes exposições individuais que realizou foram: O Grande Herbário de Sombras (2002) na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, e Sombras à volta de um Centro (2003), na Fundação de Serralves, Porto.

A partir da segunda metade dos anos 70, Lourdes Castro dedica-se aos espectáculos de sombra, acompanhada por Manuel Zimbro, actividade que serviu de mote à exposição na Fundação Serralves – Lourdes Castro e Manuel Zimbro: à luz da sombra (2010).

Como consagrada artista contemporânea que é, Lourdes Castro está representada em museus espalhados um pouco por todo o mundo.

Recebeu a Medalha do Conselho Regional do Salon de Montrouge  (Paris, 1995); o Grande Prémio EDP (Lisboa, 2000), e o Prémio CELPA/Vieira da Silva (2004).

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“Quando o René e eu começámos a revista KWY, a Maria Helena e o Arpad quiseram logo ser assinantes. Era impressa à mão em serigrafia no nosso primeiro quarto em Paris, Bd. Pasteur, também atelier!
Já na rue du Vieux Colombier em 59, a Maria Helena disse-nos um dia que gostaria de fazer uns postais de boas festas, recebiam tantos a que não conseguiam responder. Se não queríamos nós imprimir em serigrafia, que era tão bonito o que fazíamos e gostava muito do resultado.

- “Les enfants font ça si bien, n’est ce pas Arpad?”
- “Oui, ah oui Bichou !”

Era também uma maneira de nos ajudar, pressentíamos…

A Maria Helena vinha lá para casa desenhar, às vezes tão absorvida estava que, enquanto com o Arpad íamos jantar fora ali perto à Croix Rouge – um dia o Christo veio também connosco – ficava sozinha a trabalhar e jantava apenas um iogurte, uma fruta”.

Lourdes Castro, IX 2008

Publicado em Au fil du temps: percurso fotobiográfico de Maria Helena Vieira da Silva. Lisboa: Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, 2008, p. 143.
 
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