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António COSTA PINHEIRO
António COSTA PINHEIRO

Moura, 6 de Junho de 1932 - Munique, 9 de Outubro de 2015

De raízes alentejanas, é em Lisboa onde Costa Pinheiro faz os seus estudos de arte (na Escola António Arroio e na Escola de Belas Artes) e onde expõe individualmente pela primeira vez, na Galeria Pórtico em 1956.

Entre 1957 e 1960 viveu em Munique, convivendo com os amigos Lourdes Castro e René Bertholo, com quem deu início à conhecida revista (e grupo) KWY. Aqui permanece até 1960, altura em que ganha uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian e se muda para Paris.

Costa Pinheiro explorou a figuração recorrendo à prática desenvolvida através do desenho e da gravura, nomeadamente de temas como homens e touros ligados ao seu imaginário do Alentejo.
Em 1961 é preso em Portugal sob a acusação de assinar um abaixo-assinado em que se acusava como crime o assassinato do pintor Dias Coelho; passa três meses na prisão de Caxias. No ano seguinte regressa à Alemanha.
Entre 1964 e 1966 realiza a conhecida série Os Reis, um conjunto de retratos imaginários dos reis de Portugal apresentados como cartas de jogar. Numa outra fase, mais conceptual, Costa Pinheiro desenvolveu brinquedos populares de madeiras coloridas que integrava em contextos de ficção científica; é o caso do Citymobil (1967-1975), “projecto imaginário em que a cidade é permanentemente transformada pelos seus habitantes” [Rui Mário Gonçalves]. O tema de Fernando Pessoa (1974-1981) é outro marco importante na sua carreira.

Em 1981 e 1989 a Fundação Calouste Gulbenkian dedica-lhe duas exposições retrospectivas. Os “Navegadores”, exposição apresentada na Galeria Fernando Santos no Porto, em Setembro de 2001, marcou o regresso da obra do pintor à cena artística portuguesa, e mais recentemente, “Elas e Eles” apresentou na Galeria Fernando Santos no Porto (2005) os últimos trabalhos do pintor.

Em 2001 Costa Pinheiro recebe o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

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“Lembro-me: 
Éramos jovens artistas portugueses, vivendo em Paris – René Bertholo, Lourdes de Castro, José Escada; Eduardo Luís, João Vieira; Jorge Martins… convidados para um jantar em casa da Vieira da Silva e do Arpad.
A certa altura ela vinha do seu atelier, passando pelo jardim, de braço dado com o poeta René Char, parou à entrada da sala e apontando para nós, perguntou-lhe: “Não achas que eles são tão bonitos?”

Da inauguração de uma exposição sua na galeria Jeanne-Bucher de ela trazer, pendurada no braço, uma belíssima écharpe tecida por uma artista francesa, e enrolando a écharpe à volta do meu pescoço disse: “fica-lhe muito bem e melhor ainda junto da «gatinha» que o acompanha!”
Entendi muito bem a sua ironia.

Como ela ficou irritada com o galerista Pierre Loeb, por este não se ter dignado a olhar para os meus trabalhos sobre papel que ela elogiou.
«Ele não entende “la jeunesse!”» - disse Arpad para a sossegar…”.

Costa Pinheiro
Publicado em Au fil du temps: percurso fotobiográfico de Maria Helena Vieira da Silva. Lisboa: Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, 2008, p. 125.
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