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Milly POSSOZ
Milly POSSOZ

Caldas da Rainha, 4 de Dezembro de 1888 – Sintra, 17 de Junho de 1967

Foi no atelier da pintora Emília dos Santos Braga, também frequentado por Vieira da Silva, que Mily Possoz deu início aos estudos de pintura, prosseguindo a formação em Paris, na Académie de la Grande Chaumière (1905) e na Alemanha (Dusseldorf), passando também por Bruxelas para estudar gravura. Antes de se fixar para sempre em Portugal, Mily viveu em Paris entre 1922 e 1937.

Grande amiga de Vieira da Silva e com um percurso de vida semelhante, Mily frequentou o seu atelier no Alto de São Francisco em Lisboa, um pólo de atracção para artistas (pintores, escritores e músicos), que aí expunham e conviviam em ambiente amigável.

Mily Possoz participou em exposições emblemáticas como a “Exposição dos Cinco Independentes” em Lisboa (1923), os salões da Sociedade Nacional de Belas-Artes (o “Salão de Outono” em 1925 e o “I Salão dos Independentes” em 1930), e ainda em várias das iniciativas do Secretariado de Propaganda Nacional.  A decoração  dos pavilhões da Exposição do Mundo Português (1940), nomeadamente o trabalho realizado para a Sala do Japão, é, aliás, nesse contexto, dos seus trabalhos mais marcantes. Outra encomenda pública surge em 1957, através do coleccionador de arte Machaz que convida a artista para a decoração do Hotel Tivoli em Lisboa, sendo esta instituição aquela que tem a maior colecção de obras de Mily Possoz.

Artista do Primeiro Modernismo Português, para além do desenho, pintura e gravura (Mily foi inclusivamente membro da  Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses), a artista dedicou-se também à ilustração. Da sua actividade como ilustradora (imprensa e obras literárias), destaque para a colaboração nas revistas ABC, Athena, Contemporânea e A Ilustração Portuguesa, e, claro, o antigo Livro da segunda classe (1958).

Entre os principais temas explorados por Mily Possoz incluem-se as paisagens, os animais, nomeadamente gatos, as crianças (meninas) e as figuras populares. A sua linguagem pictórica, simultaneamente simples e dinâmica a que soube conjugar liberdade cromática e de traço é, por isso, dos melhores exemplares portugueses da pintura fauve.

Para além dos museus e colecções privadas em que está representada, em Portugal e no estrangeiro, Mily Possoz recebeu, em vida, a Medalha de Ouro do Júri Internacional de Gravura (1937), o Prémio Sousa Cardoso (1944) e o Prémio de Desenho José Tagarro (1949).
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