PT
ENG
João VIEIRA
João VIEIRA

Vidago, 4 de Outubro de 1934 - Lisboa, 5 de Setembro de 2009

O início de carreira de João Vieira está invariavelmente associado ao Café Gelo no Rossio, em Lisboa: o atelier que partilhava com José Escada, René Bertholo e Gonçalo Duarte situava-se sobre o estabelecimento, e aqueles que aí se reuniam viriam a fundar em Paris o KWY, grupo responsável pela publicação de uma revista e organização de exposições.

Partindo para Paris em 1957, João Vieira frequenta a Académie de la Grande Chaumière, a mesma que Arpad Szenes e Vieira da Silva frequentaram, vindo a trabalhar com o pintor húngaro, mais tarde, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Seguiu-se uma passagem por Londres, cidade onde se cruzou com vários camaradas portugueses e onde em finais de 1964 leccionou no Maidstone College of Art.

João Vieira é conhecido como o pintor das letras devido à fusão que estabelece entre a pintura e a escrita, seja através de ideogramas e letras dos alfabetos latino e grego, de textos literários de autores como Cesário Verde e Herberto Hélder ou de textos simbólicos. Como o próprio disse na apresentação do seu livro dedicado a Cesário Verde, em 2006, “comecei a pintar com letras porque queria fazer poemas com pintura”.

Às suas telas também associou números. Outro tema de destaque na sua obra é o corpo, nomeadamente o feminino. A relação teatro-artes plásticas, evidente na sua primeira performance-exposição “O Espírito da Letra” (Galeria Judite Dacruz, 1970) constitui outra vertente do trabalho do artista. Nos anos 80, João Vieira dedica-se a reinventar os trabalhos de alguns artistas portugueses de referência, como Grão Vasco e Francisco de Hollanda.

Quando regressa a Lisboa, em 1967, João Vieira dedica-se quase em exclusivo ao trabalho como cenógrafo e encenador, ganhando no ano seguinte o prémio Círculo de Teatro Latino de Barcelona, com a cenografia de D. Quixote, e em 1971 o Prémio Nacional de Teatro, pela encenação de Quem Tem Medo de Virgínia Wolff? Pelo meio ficou a Menção Honrosa, Prémio SOQUIL (1970), e postumamente, o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (2009).

Quer em Portugal como na Hungria, João Vieira realizou painéis de azulejos para estações de metro, a do Terreiro do Paço em Lisboa e a da estação central Deák Ter em Budapeste. Também os vitrais da Sé de Vila Real têm a sua assinatura.

Algumas exposições em que João Vieira esteve representado: “I Exposição dos Artistas de Hoje” (1957), Bienal de Veneza (1980), “Grupo KWY” (2001). Outra exposição - performance marcante é “Caretos”, na Galeria Quadrum, em 1984, inspirada nos costumes típicos transmontanos. Individualmente, João Vieira, que só começou a expor a solo em 1959 (Galeria do Diário de Notícias), teve em 2002 uma exposição no Museu de Serralves.
VOLTAR
© Copyright FASVS 2010 | Design by MOZO