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Fotografia
Fotografia

Vieira da Silva não gostava de ser fotografada, da mesma forma que não gosta­va de ser entrevistada, pois tudo isso a importunava, distraí-a do seu traba­lho, da sua concentração, do seu silêncio. A casa de campo em Yèvre-le-Châtel, afastada de Paris e da sua agitação, resultou, nesse sentido, perfeitamente, proporcionando ao casal o recolhimento desejado.

Vieira e Arpad cederam, porém, às objectivas; nas suas diferen­tes facetas, épocas e lugares, são revelados através de imagens de fotógrafos profissionais, como Willy Maywald ou Denise Colomb; de artistas como Fernando Lemos; ou simples instantâneos de amigos e familiares. Apesar da sua posição face à fotografia, Vieira deixou-se fotografar, embora evitasse os retratos em movimento, onde a boca podia ser apanhada aberta e as pálpebras fechadas; preferia um retrato imóvel, que evitava essas situações. Vieira costumava também dizer que a objectiva só podia captar um único ângulo e as pes­soas são feitas de muitos.

Seleccionadas a partir da vasta colecção de Fotografia da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, os exemplares que agora damos a conhecer ao público apresentam Maria Helena e Arpad num registo mais intimista. São fotografias que captam poses naturais ou encenadas, actividades de lazer ou trabalho, retratos individuais, do casal ou em grupo. Apresentamos também registos ocasionais de pessoas próximas que, deste modo, diluem a conotação de Vieira como ser distante e reservado, e demonstram a simplicidade e generosidade que realmente definiam a sua essência e que recorrentemente são referidas.

São registos do passado para serem apreciados no presente.

Martha Punter

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