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Acerca da colecção. Ficha de imagem
Arpad Szenes

Névé, 1979-1980

Névé
dá-nos a conhecer uma faceta extremamente sensível de Arpad Szenes, que fora já registada em paisagens anteriores e irá perdurar até ao fim da sua vida.

O tema das paisagens no repertório de Arpad remonta aos tempos em que vivia na Hungria. Porém, todas as paisagens húngaras, portuguesas, brasileiras e francesas que pintou começaram por ser reais, a expressão artística daquilo com que era confrontado. A partir dos anos 50, após uma viagem ao Sul de Espanha, as paisagens de Arpad tornam-se abstractas: a natureza é totalmente simplificada e depurada e a representação figurativa, bem como a figura humana são abandonadas.

Arpad não pretende identificar locais precisos ou desenvolver uma narrativa, deseja apenas mostrar aquilo que entende ser o essencial para que quem veja a obra consiga percepcionar aquilo que o pintor quis expressar. A pintura é feita de sugestões e de evocações e não de representações concretas. Não obstante, os títulos que Arpad dá a algumas das suas obras, nomeadamente: “Verger” (“Pomar”, 1956); “La grande vallée” (“O grande vale”, 1957); “La cascade” (“A cascata”, 1959); “Fleuve” (“Rio”, 1967); “Remous” (“Redemoinho”, 1970); ou o caso específico de “Névé” (1979-1980), entre muitos outros exemplos, acabam por orientar o espectador nessa descoberta.

Assim abriu Arpad caminho a um lirismo abstracto, profundamente meditativo e introspectivo, caracterizado por paisagens imaginadas ou metafóricas, mas sempre luminosas. E é como “pintor da luz” que Arpad fica conhecido, luz que, sendo um elemento essencial para esta espiritualidade e jogando com a modelação da intensidade e da transparência, torna a pintura de Szenes quase metafísica. Fundamental é igualmente a nova paleta de cores adoptada, dominada por ocres e brancos.

O universo sensível toma a direcção desta produção: Arpad envereda por novas soluções nos suportes utilizados (o mesmo quanto às técnicas), com recurso a telas estreitas, de formato vertical ou horizontal, qualquer uma delas propícia à ideia de infinito, efeito reforçado pela organização sobreposta da composição, com o seu desenvolvimento por estratos. E são espaços infinitos, de horizontes longínquos em que o céu e a terra se fundem e confundem, em que as formas perceptíveis dão lugar a formas dissolutas e diluídas (sugestivas), que Arpad nos oferece.

Esta nova abordagem da natureza, aliada a outros factores, aproximam Arpad Szenes da espiritualidade oriental. Arpad “abre o horizonte até ao infinito e dá-no-lo a ver e a sentir”.*

Paralelamente, Arpad pinta paisagens de características mais agressivas, geométricas e repletas de força, como é exemplo “Le Canyon” (1954) ou “Paysage développé” (1956); ou fortemente ritmadas, como bem reflecte a designação “Paysage dansant” dada pelo pintor a algumas obras pintadas entre 1955 e 1957. Porém, em meados dos anos 60 essas obras cedem lugar às paisagens da meditação, que perduram até ao fim da sua vida.

*Anne Philipe

Martha Punter

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